Eu sempre achei alguma piada a batalhas navais, embora não saiba ainda grande coisa acerca das suas tácticas. Um dos principais pontos de interesse neste tipo de wargame é que não há terreno por aí além e o que estamos a fazer é uma questão de manobra pura para que os nossos navios assumam posições vantajosas em relação aos do adversário. No entanto, algo que sempre me preocupou no que eu via de jogos navais quando estava a crescer era a complexidade dos jogos navais, que faziam com que estivéssemos mais ocupados a interpretar e executar as regras do que com o jogo em si.
Se na década de oitenta e inícios de noventa os wargames terrestres eram complexos, os navais eram-no muito mais. As regras de navais de 1ª ou 2ª guerra mundial envolviam que os jogadores fizessem os seus próprios cálculos matemáticos acerca da capacidade de perfuração de blindagem das armas dos seus navios, tendo em conta entre outras coisas, o alcance, o peso do projéctil e o ângulo de embate no alvo, para depois calcular a blindagem efectiva do mesmo e ver se haveria penetração ou não.
Para um rapaz novo isto tornava-se algo chato, e a minha introdução verdadeira aos jogos navais foi com birremes e trirremes romanos e cartagineses à escala de 1:1200. As regras, que ainda tenho algures, chamavam-se Diekplus. Eram um pouco mais simples que as de segunda guerra mundial, mas ainda assim um pouco complicadas. Depois disso, deixei de jogar navais durante anos e anos.
Quando apareceu o Man’O'War, da GW, a chama acendeu-se de novo, mas na altura o dinheiro não abundava e portanto resisti ao seu chamamento. O Man’O'War significava regras um pouco mais simples que as anteriores, e significava também o início (e quase o fim) da guerra naval de fantasia.
A partir daqui, com a GW, surgiram regras de navais mais simplificadas. A seguir a Man’o'War veio o Battlefleet Gothic, embora aqui estivéssemos a falar de combate espacial. Regras muito simples de aprender e jogar, com potencial para serem adaptadas para outras épocas.
Outras companhias produziram as suas próprias regras navais, sendo as regras General Quarter bastante famosas (para primeira e segunda guerras mundiais), mas ainda complexas em relação ao que se faz hoje. As regras actuais são bastante mais fáceis de jogar, embora envolvam ainda algum “book-keeping”e são baseadas nos sistemas anteriores. Assim, para navais de fantasia, apareceu recentemente (há cerca de um ano atrás) o “Uncharted Seas” (Spartan Games). Eu ainda não as comprei (tenho resistido fortemente à tentação), mas provavelmente acabarei por fazê-lo, dada a dificuldade de arranjar navios para Man’o'War a preço razoável e devido aos baixos preços destas novas regras (uma frota fica por uns 30€)
No que diz respeito a napoleónicos, enquanto as regras anteriores tinham o seu ponto mais alto em Wooden Ships and Iron Men (um boardgame da antiguinha Avalon Hill), hoje Trafalgar (Warhammer Historical) começa a ser falado com algum apreço e consegue trazer para o que seria um tipo jogo bastante difícil (por causa dos ventos) uma facilidade que faz com que possamos jogar com interesse e sem dores de cabeça.
Para primeira e segunda guerras mundiais há, neste momento, o Age of Dreadnoughts e o Victory at Sea, respectivamente. Ambos este jogos são baseados, curiosamente, num sistema de combate espacial de seu nome A Call to Arms (regras de combate no universo de Babylon 5) - estes sistemas são, todos eles, da Mongoose Publishing. De longe, os três jogos da Mongoose Publishing são os mais simples de jogar, embora tenham alguns problemas. No entanto, é precisamente para o A Call to Arms que é mais complicado de arranjar miniaturas a preço barato.
No que diz respeito a miniaturas, os fabricantes são menos diversificados que nos wargames terrestres a que estamos habituados (embora muita gente ainda só pense em termos de GW e BF), mas ainda assim temos escalas e minis bastante diferentes. As escalas mais populares são 1:600 e 1:1200 para Antiguidade Clássica e Fantasia; 1:1200 e 1:2400 para Napoleónicos; 1:2400 e 1:3000 para WWI, WWII e Modernos.
A Spartan Games faz as miniaturas para o seu jogo, Uncharted Seas. De resto, temos fabricantes como a Skytrex, a GHQ, a Navwar e a Rodlangton, para mencionar apenas os principais.
Neste momento ando inclinado, cada vez mais, para dar por terminada a minha frota Japonesa para Victory at Sea e começar a fazer uma ou duas frotas para Uncharted Seas, mas isso implicará que outros irão por esse caminho negro comigo :D
Até à próxima!





















































